A empresa brasileira Mignow, especializada em inteligência artificial, se prepara para modernizar os sistemas de grandes fazendas nos Estados Unidos, aproveitando a oportunidade de levar tecnologia de ponta para o agronegócio norte-americano.
Antes da pandemia, falar de inteligência artificial era algo restrito a grupos de tecnologia e pesquisadores acadêmicos. O assunto circulava principalmente em setores ligados à inovação de grandes corporações, que já enxergavam o potencial dos dados gerados em suas operações.
"Algumas empresas e pessoas não entendiam o que a gente estava dizendo alguns anos atrás. E 100% do que falamos se cumpriu: é preciso se manter atualizado para surfar as novas tecnologias disponíveis", conta Paulo Secco, que acumula mais de duas décadas de experiência em companhias voltadas para tecnologia.
Expansão Global
- A Mignow nasceu em 2019 focando no agronegócio brasileiro.
- Hoje, a empresa está presente em 18 países, incluindo América Latina, Europa e Ásia.
- O próximo grande passo é expandir fortemente para os Estados Unidos.
- A empresa atende clientes de destaque como Amaggi, SLC Agrícola e Coopercitrus.
- O foco é modernizar sistemas de gestão (SAP) para reduzir custos e aumentar a eficiência.
Secco apostou nessa tendência em 2019, com o agronegócio em seu radar. Então, ele criou a Mignow, uma empresa de tecnologia, baseada em automação e IA, que presta serviços a organizações, atuando na implantação e na modernização dos sistemas de gestão SAP. Esses sistemas integram as diversas áreas do negócio, como compras, produção, armazenamento, logística, finanças e faturamento.
"O agro aderiu a essas mudanças, conectando as diferentes etapas dentro do negócio", afirma. "As indústrias usam a inovação o tempo todo, desde a compra de insumos até o processamento de pedidos, a emissão de notas fiscais e a distribuição de produtos".
Atuação no Brasil
Um dos primeiros clientes em SAP - que segue na carteira até hoje - foi a Amaggi. Desde então, a empresa já conduziu projetos para diferentes segmentos da cadeia produtiva e, mais recentemente, rompeu as fronteiras brasileiras.
Presente em mercados da América Latina, da América do Norte e da Europa, a Mignow também expandiu o atendimento a clientes da Ásia, como a chinesa LongPing. Mas a meta da empresa, no momento, é crescer nos Estados Unidos.
Oportunidade nos EUA
"É a bola da vez, um país que está atrasado nessa tecnologia da SAP e eles já entenderam que estão ficando para trás no processo de utilização das novas ferramentas", revela Secco. Segundo o CEO da Mignow, aparentemente, está se formando uma onda de atualização de sistemas pelos EUA. "Hoje nós somos a empresa número um de execução lá. Inclusive, a gente faz parte de um piloto com parceiros, para que a gente consiga atender mais a demanda deles", finaliza.
Com mais de 25 anos de experiência em tecnologia, ele passou por empresas como Xerox, Accenture, Softtek e SAP antes de empreender. Antes da Mignow, Paulo Secco já havia criado outras empresas, sempre nessa área.
"Fundei minha própria empresa, e basicamente, cresci atendendo algumas indústrias do agro, especificamente para SAP", conta. "Muitas empresas do setor começaram, então, a nos procurar, parte porque eu conhecia, parte que meus sócios conheciam. O agro busca muito as inovações para melhorar a margem de negócio", relata Secco.
Resultados Práticos
Segundo ele, as soluções da empresa ajudam na redução de atividades manuais, riscos operacionais e períodos de indisponibilidade. Além disso, atua na modernização do agronegócio em automação, IA e transformação digital.
"No agro, a gente atende diversas empresas, como SLC Agrícola, Coopercitrus, Citrosuco, Cerradinho, e Copacol", cita.
Em vários casos, diz, as empresas têm operações complexas, que precisam atualizar os sistemas sem interromper as atividades. "O agronegócio tem diversos segmentos numa mesma indústria, com várias áreas", afirma.
Um dos objetivos do trabalho da Mignow é manter os clientes atualizados, viabilizando as novas tecnologias, sem que a transição provoque paralisações na operação. Na BRF, por exemplo, a Mignow atuou na modernização de uma operação crítica que conecta desde a compra de insumos e a criação dos animais até a chegada dos alimentos ao consumidor.
E na Coopercitrus, que emite mais de cinco milhões de notas fiscais por ano, a Mignow conseguiu concluir, em quatro meses, a migração do ambiente SAP, a mudança de nuvem e testes em mais de mil cenários. "Após o projeto, o tempo de emissão de uma nota fiscal caiu de mais de cinco minutos para cerca de 20 segundos. A Coopercitrus também passou a adotar uma estratégia que evita o acúmulo de complexidade", conta.




