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07 de outubro de 2026

SAÚDE

Rússia garante: não há epidemia após morte de cientista na Sibéria

SAÚDE Saude 07/10/2026 15:33 CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Agência de saúde russa encerrou quarentena e afastou risco de epidemia após a morte de uma funcionária do instituto de peste, enquanto a OMS e os EUA cobram mais transparência sobre a causa do óbito.

A agência reguladora de saúde da Rússia declarou nesta quarta-feira (7) que não existe risco de uma epidemia na Sibéria. Essa posição foi tomada após a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa focado no estudo da peste. Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) continua cobrando mais detalhes sobre as causas do falecimento.

As autoridades russas confirmaram que a funcionária do laboratório, que tinha 28 anos, veio a falecer na última sexta-feira (2). A causa oficial da morte é uma pneumonia de origem ainda não totalmente determinada.

  • A agência russa de saúde (Rospotrebnadzor) encerra as medidas de precaução e afirma que não há risco de epidemia para a população.
  • A funcionária Darya Shipilova, de 28 anos, morreu de pneumonia e havia sido vacinada contra as doenças com as quais trabalhava.
  • Cerca de 200 pessoas foram colocadas em quarentena inicialmente, e 90% já foram liberadas após testes negativos.
  • A OMS e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pressionam a Rússia por mais transparência e dados completos sobre o caso.
  • O Kremlin acusa a mídia de espalhar informações falsas, negando que uma segunda pessoa tenha morrido na região.

O caso gerou preocupação em escala internacional, atraindo até mesmo a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em resposta ao incidente inicial, cerca de 200 pessoas foram colocadas em quarentena preventiva para monitoramento.

O contexto da vigilância global de saúde

Profissionais de saúde do mundo inteiro, assim como a imprensa global, passaram a observar com muita atenção qualquer caso de pneumonia cuja causa não esteja claramente identificada. Esse nível de alerta existe desde o início da pandemia de Covid-19, que começou com um surto de uma doença respiratória de rápida propagação na China.

No entanto, especialistas lembram que, em muitos casos isolados, não é possível determinar com certeza a causa exata de uma pneumonia. Com base nas informações divulgadas até o momento, a OMS estima que o risco para o público em geral na Rússia seja baixo.

Encerramento da quarentena e testes negativos

O Rospotrebnadzor, que é o órgão responsável pela vigilância sanitária na Rússia, declarou que estava encerrando as medidas de precaução. O órgão concluiu que não havia risco de epidemia e informou que já tinha compartilhado os dados mais recentes com a OMS.

A agência russa confirmou que nenhum caso da doença foi detectado entre as pessoas que tiveram contato próximo com Darya Shipilova, a funcionária que morreu. Além disso, 90% dos indivíduos que estavam em quarentena foram liberados. Essa decisão foi tomada após quase 5.000 testes laboratoriais não detectarem nenhum patógeno perigoso.

A agência afirmou ainda que Shipilova tinha recebido as vacinas necessárias e, por isso, estaria imune às infecções perigosas com as quais ela trabalhava no laboratório. Apesar disso, a instituição não especificou qual foi a causa exata da pneumonia que levou à morte da profissional, nem explicou como ela contraiu a doença.

Pressão internacional por transparência

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS em Genebra, declarou mais cedo nesta quarta-feira que sua organização necessita de mais informações da Rússia. O objetivo é entender com precisão o que de fato aconteceu no instituto de pesquisa.

A OMS solicitou mais informações para esclarecer a causa da pneumonia grave, o patógeno que motivou as medidas de saúde pública e as notícias na mídia sobre um segundo funcionário com pneumonia de causa indeterminada, pontuou ele em sua rede social, o X.

O compartilhamento de informações oportunas, completas e transparentes, nos termos do Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos potenciais riscos à saúde pública, adicionou o diretor-geral.

Reação do Kremlin e rumores de mortes

O Kremlin afirmou que a Rússia informou adequadamente a OMS sobre o caso, seguindo rigorosamente os procedimentos estabelecidos internacionalmente. Ao ser questionado sobre a solicitação da OMS para responder a relatos de que uma segunda pessoa na Sibéria teria adoecido, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu cautela ao utilizar notícias da mídia como referência para o que estava acontecendo.

Há uma grande cobertura midiática, e a vasta maioria do que a mídia relata sobre essa situação são informações falsas, alegou Peskov. Ele aconselhou a mídia e a população a se basearem exclusivamente nas informações fornecidas pelo órgão regulador de saúde. Vale destacar que o órgão não respondeu imediatamente, nesta quarta-feira, a um pedido de comentário da agência Reuters sobre as questões levantadas pela OMS.

Alguns veículos de mídia ocidentais relataram, citando mídia russa não identificada, que uma segunda pessoa na Sibéria havia morrido, afirmando que a causa teria sido a mesma doença misteriosa. No entanto, a Reuters não encontrou notícias na mídia russa oficial nem qualquer evidência de que uma segunda pessoa na Sibéria tenha morrido, embora alguns blogueiros nas redes sociais estivessem fazendo essas afirmações sem provas.

Contatada pela Reuters, a OMS informou que não tinha nada a acrescentar sobre o assunto além do que Tedros já havia publicado no X. O pedido do diretor por mais informações ecoou a posição do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que também afirmou que Moscou precisa compartilhar mais dados sobre o caso para tranquilizar a comunidade internacional.

A pneumonia, que é uma infecção nos pulmões, pode ter diversas causas. Entre elas, está a suposta peste, bem como outras infecções bacterianas ou doenças respiratórias virais, como a gripe comum ou a Covid-19.


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